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quarta-feira, 25 de julho de 2012

As Amigas - Costa Araujo - 2009


Costa Araujo - Acrylic on canvas - 2009 - The girl friends
Eis uma foto de um dos quadros do artista, já vendido, o qual eu não vi pessoalmente. A técnica utilizada pelo artista nesta produção foge um pouco da maioria em que Costa Araujo privilegia a nitidez da face dos personagens. Neste caso em particular a ausência de nitidez dá aos rostos destas "três amigas" (título dado pelo artista) um estereótipo, predominando a classe social das amigas, três camponesas, sem que nenhuma se sobressaia. Os potes, como me confessou o artista, são de um gosto pessoal. "Adoro pintar potes", disse-me ele um dia. E os tons terrosos, mistura de variações de marron que o artista tem prazer em descobrir, misturando as cores. Então repasso um detalhe que só ajuda na divulgação da obra, que basta por si. Costa Araujo é um artista plástico completo. Meus comentários? Irrelevantes.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

As mãos com imagens. Por Joaquim Pulga

Costa Araujo - Acrylic on canvas
Nos canhenhos de assentos na antiquíssima Bracara Augusta consta seguramente o nascimento do José Augusto Costa Araújo, no ano de tal, filho de tal e tal. Sobre as suas mãos e sua rijeza estética, nada atestarão as folhas nutridas de pó. Sabemo-lo agora nós que te conhecemos a obra de muito tempo.

Não sei quando e se pela mão progenitora ou nos seus calcanhares, desceste ainda mais para sul do hemisfério inferior deste achatado globo. Eu, pela parte que me toca, penso que só lucraste com tal viagem, possivelmente, num barco voador ainda movido a hélices. E por lá medraste um ror de anos a fundir ritmos, cores, traços, expressões e outros condimentos que a quentura das Áfricas e Brasis vai desvendando a quem por lá se demora.

Depois, com os sinuosos acasos da vida, subiste para a África de cá (o Alentejo nas palavras poéticas do já desaparecido Rui Knopfli). E por aqui permaneces branqueando as melenas enquanto, com a regularidade de um relógio suíço, cobres com mansidão furiosa a traços e cores mirabolantes tudo quanto pensas propício para gravar o teu pictórico génio. Para isso tens no Alentejo um manancial inigualável. Tens nas ceifeiras alentejanas uma peculiar e arrimada sensualidade criativa. Até parece que nessa antiga labuta trocaste, por momentos, o pincel pela foice. Tal sensualidade que revejo in loco com os olhos que minha mãe me concedeu, dependurada, ali, no lado direito da parede onde me sento e escrevo mesmo agora sobre o Araújo, numa ofertada aguarela que desvenda uma jovem apetecivelmente descuidada, de ombros angulosos e duas luas cheias por seios donde se empinam rosáceos mamilos.
Costa Araujo - Acrylic on canvas

Enquanto olho as palavras já gravadas, passo a memória pelo pluralismo da tua obra. Do exotismo à Gauguin, pintado numa tela existente na tua oficina, à força que salta da tela que exibe uma matrona balzaquiana que tem uma mão brutalmente expressiva e uns olhos poderosos que dizem tudo sobre o trabalho das mãos com imagens do pintor.

Persevera sempre Araújo. O lápis, o pincel, a tinta, o papel e o que demais usas na tua arte, foram também as velhas ferramentas com que os ancestrais pedreiros-livres construíram um mundo harmonioso de criadores.

Joaquim Pulga